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Cuidados paliativos
A “medicina
paliativa”, ou “cuidados paliativos”, é a forma civilizada de entender e atender
aos doentes terminais, oposta principalmente aos dois conceitos extremos
aludidos: obstinação terapêutica e eutanásia. Esta é uma nova especialidade de
cuidados médicos ao doente terminal, que contempla o problema da morte do homem
numa perspectiva profundamente humana, reconhecendo a dignidade da pessoa no
âmbito do grave sofrimento físico e psíquico que o fim da existência humana
muitas vezes comporta. Nas Unidades de Cuidados Paliativos, que são áreas
assistenciais, existentes física e funcionalmente nos hospitais, proporciona-se
uma atenção integral ao doente terminal. Uma equipa de profissionais assiste
estes doentes na fase final da sua enfermidade, com o único objectivo de
melhorar a qualidade da sua vida neste transe definitivo, atendendo às
necessidades físicas, psíquicas, sociais e espirituais do paciente e da sua
família. As necessidades físicas advêm das graves limitações corporais e
sobretudo da dor, especialmente em casos de cancro, já que este atinge 80% dos
doentes terminais. Com tratamento adequado pode-se chegar a controlar cerca de
95% da dor. As necessidades psicológicas são evidentes. O doente precisa de
se sentir seguro, precisa de confiar na equipa de profissionais que o trata, de
ter a segurança de uma companhia que o apoie e não o abandone. Necessita de amar
e de ser amado. As necessidades sociais do doente terminal não são menos
importantes para matizar esse transe tão penoso. A doença terminal causa em quem
a padece e na sua família um intenso desgaste e não poucos desajustes
familiares. Frequentemente, toda a atenção dos membros da família concentra-se
no membro doente e, se a sobrevivência se prolonga, o desajuste pode ser
duradouro.
Adaptado de
Vários Autores, “Eutanásia”, Ed. São Paulo, Lisboa, 1994
(Retirado de
Factos da Vida, nº 13)
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